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O Bitcoin protagonizou uma espécie de rali após um mês de negociação em faixa, mas, ainda assim, o quadro técnico não se assemelha ao início de uma nova tendência de alta. No gráfico diário, fica claro que o movimento atual é uma correção fraca, e existe um pool de liquidez abaixo do preço atual que muito provavelmente (cerca de 90%) será revisitado. No gráfico de 4 horas, observa-se que o Bitcoin sobe de forma lenta. Uma queda rápida e acentuada, combinada com ganhos lentos e anêmicos, são sinais clássicos de tendência de baixa. Assim, nossa visão permanece inalterada.
Entretanto, mal o Bitcoin recuperou parte das perdas nesta perna corretiva, vários "especialistas em cripto" já voltaram a endeusar o ativo. Por exemplo, analistas afirmam que a recente alta foi impulsionada por entradas em ETFs de Bitcoin e pela cobertura de posições vendidas. Isso pode parecer óbvio — entradas elevam o preço —, mas o desafio está em antecipar esses fluxos, especialmente no mercado cripto. Descrever o passado é fácil; prever o próximo movimento é difícil.
O cenário fundamental piorou para o Bitcoin na última semana. Após o início da guerra no Oriente Médio e o forte rali do petróleo, os bancos centrais passaram a projetar uma inflação mais alta e, assim, abandonaram os planos de novo afrouxamento monetário nos últimos dias. O Banco da Inglaterra pode inclusive elevar a taxa de juros em 2026 caso a inflação saia do controle. Vale lembrar que, quanto mais acomodatícia a política monetária, maior tende a ser a demanda por ativos de risco, já que os investimentos seguros oferecem retornos mais baixos. O Bitcoin chegou a reagir a uma linha de tendência de alta durante essa queda, mas acreditamos que esse suporte será rompido em qualquer cenário.
O Bitcoin continua a formar uma tendência de baixa bem definida. Ainda esperamos uma queda em direção a US$ 57.500 (nível de Fibonacci de 61,8% da tendência de alta de três anos), e, por enquanto, não há sinais de reversão. Nem mesmo a região de US$ 57.500 parece ser um ponto final para o movimento. Entre as zonas de interesse (POIs), destacamos apenas o FVG de baixa mais próximo no gráfico diário, que ainda se encontra relativamente distante do preço. No gráfico de 4 horas, o FVG mais recente pode ser utilizado como referência para buscar sinais de venda. Abaixo, permanece um alvo claro — o pool de liquidez localizado sob duas linhas de tendência.
A tendência de baixa ainda está em curso no gráfico diário. O principal padrão vendedor continua sendo o bloco de ordem de baixa no gráfico semanal. Como já destacamos, o movimento desencadeado por esse sinal pode ser forte e prolongado. Desde a sua formação, o Ethereum já caiu cerca de 55% (aproximadamente US$ 2.500). No curto prazo, ainda é possível uma correção de alta; o bloco de ordem no gráfico de 4 horas foi invalidado, e o ativo saiu do canal lateral. Assim, o Ethereum pode se direcionar, no curto prazo, a um dos FVGs no gráfico diário, e sua dinâmica continuará dependente do Bitcoin, como anteriormente. Entre as possíveis zonas de interesse (POIs) no gráfico de 4 horas, destacam-se os BBs e os FVGs. No entanto, operar na compra em uma tendência de baixa exige cautela, sendo mais adequado adotar estratégias de curto prazo.
CHOCH — mudança de caráter / quebra da estrutura de tendência.
Liquidez — liquidez, Stop Loss dos traders que os market makers utilizam para construir suas posições.
FVG — Fair Value Gap (Intervalo de valor justo - área de ineficiência de preço). O preço frequentemente se move rapidamente por essas áreas, indicando a ausência de um dos lados no mercado. Posteriormente, tende a retornar e reagir nessas zonas.
IFVG — Inverted Fair Value Gap (Intervalo de Valor Justo Inverso). Após retornar a essa zona, o preço não reage, mas rompe de forma impulsiva e depois a testa pelo lado oposto.
OB — Order Block (Bloco de Ordem). Uma vela na qual um market maker abriu uma posição para capturar liquidez e, em seguida, formar sua própria posição na direção oposta.