Veja também
A perspetiva de investimento na zona do euro começa a suscitar preocupação entre os responsáveis do BCE, diante da rápida alta dos preços do petróleo e do gás natural, que intensifica a pressão sobre os custos energéticos. Nessas condições, o regulador manteve a taxa de depósito em 2%, a taxa principal de refinanciamento em 2,15% e a taxa da facilidade de crédito em 2,40%, deixando os três instrumentos inalterados.
No seu comunicado de política monetária, o BCE reconheceu que "a guerra no Oriente Médio... terá um impacto notável na inflação de curto prazo, por meio da alta dos preços de energia". Ao mesmo tempo, o banco central sublinhou que "as suas consequências de médio prazo dependerão tanto da intensidade e da duração do conflito quanto de como o aumento dos preços de energia afeta os índices de consumo e a dinâmica económica global".
Na conferência de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a zona do euro dispõe de resiliência suficiente e que a inflação baixa faz com que a política atual esteja "razoavelmente bem preparada" para choques externos. Acrescentou que o banco central adota uma abordagem "reunião a reunião", enfatizando que a trajetória das taxas de juros é determinada pelos dados recebidos e pela sua interpretação.
Durante a sessão europeia de sexta-feira, vários responsáveis do BCE comentaram o estado atual e as perspetivas da inflação, bem como o possível percurso das taxas de juro.
Joachim Nagel, membro do Conselho do BCE e presidente do Bundesbank, afirmou que, nas condições atuais, "é bastante possível uma deterioração das perspetivas de inflação de médio prazo e um aumento sustentado das expectativas de inflação, o que provavelmente exigiria uma política monetária mais restritiva". Na sua opinião, o BCE pode ter de aumentar as taxas já em abril, caso as perspetivas de preços se deteriorem.
Enquanto isso, o membro do BCE e governador do Banco de Espanha, José Luis Escrivá, observou que "tem sido extremamente difícil avaliar com precisão o impacto da alta dos preços da energia nas dinâmicas da inflação e na economia real". Recordou que as decisões do BCE se baseiam nas perspetivas de inflação de médio prazo e que, em alguns casos, a inflação pode abrandar gradualmente sem necessidade de ajustes imediatos das taxas. Segundo ele, a situação continua altamente incerta e instável, e o regulador terá de continuar a analisar um grande volume de dados.
Parece que os comentários dos responsáveis do BCE tiveram um impacto moderadamente positivo sobre o euro (EUR). O par EUR/USD recuperou a partir da EMA de 9 dias, ou da mínima intradiária em torno de 1,1547, aproximando-se do nível redondo de 1,1600, mas ainda negocia cerca de 0,15% abaixo do fechamento de quinta-feira.
Nos Estados Unidos, os pedidos iniciais de seguro-desemprego para a semana encerrada em 14 de março não conseguiram dar suporte ao dólar. O número de solicitações caiu de 213.000 para 205.000, contrariando as expectativas dos economistas, que previam um aumento para 215.000.Dados adicionais mostraram que as vendas de casas novas em janeiro caíram 17,6% em relação ao mês anterior, após uma queda de 1,7% em dezembro, principalmente devido a tempestades de neve que reduziram a atividade no mercado imobiliário.
Nesse contexto, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA estão em queda após uma forte alta impulsionada pela divulgação de dados macroeconômicos. Ainda assim, de acordo com dados da Prime Market Terminal, os mercados financeiros não esperam cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2026, sendo a primeira mudança provável apenas na primeira metade de 2027.
A tabela abaixo mostra a variação percentual do euro (EUR) em relação às principais moedas negociadas durante a semana atual. Nesse período, o euro registrou seus maiores ganhos frente ao dólar canadense.Do ponto de vista técnico, no gráfico diário o EUR/USD está sendo negociado abaixo do nível psicológico de 1,1600. A tendência de curto prazo é moderadamente de baixa, já que o preço permanece ligeiramente abaixo das principais médias móveis simples e abaixo de sua zona de equilíbrio de médio prazo. Os osciladores estão negativos, confirmando a fraqueza dos compradores. Para assumir o controle, os compradores precisam romper acima das médias móveis simples de 100 e 200 dias.