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15.05.2026 09:32 PM
GBP/USD – Análise do Smart Money: A libra caiu frente ao dólar

O par GBP/USD vem caindo pelo quarto dia consecutivo. As razões da queda da libra não são difíceis de identificar, mas ainda acredito que uma perda de 250 pontos em menos de quatro dias úteis seja excessiva. Não nego que a crise política no Reino Unido seja um fator relevante. A possível escalada da guerra no Oriente Médio também pesa sobre o mercado. A inflação elevada nos EUA e as expectativas mais hawkish em relação à política do Federal Reserve são outros fatores importantes.

No entanto, o Fed ainda não deu um único sinal indicando um aperto monetário iminente. A alta da inflação já era esperada por praticamente todos os especialistas e não se limita aos Estados Unidos. O Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central Europeu (BCE) também estão preparados para elevar os juros em suas próximas reuniões. Além disso, crises políticas na Grã-Bretanha tornaram-se relativamente frequentes nos últimos 10 a 15 anos. Nas últimas duas semanas, o mercado também enfrentou pelo menos quatro episódios de possível escalada no Oriente Médio.

Na minha avaliação, o mercado vinha precificando um cenário mais otimista em relação ao conflito no Oriente Médio nas últimas semanas e agora passou a precificar um cenário mais pessimista, já que esse otimismo não se concretizou. Mesmo assim, considero que a queda da libra foi excessivamente acentuada.

O euro já alcançou uma zona de desequilíbrio de alta, enquanto a libra atingiu o desequilíbrio de alta 18. Essa região já havia sido testada anteriormente, mas um mesmo padrão pode gerar mais de uma reação do mercado. No momento, tanto o euro quanto a libra chegaram a zonas de suporte, portanto espero uma reação nesses níveis e uma retomada do movimento de alta.

Caso esses padrões sejam invalidados, ficará difícil ignorar o fortalecimento do momentum baixista.

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A situação em torno da resolução do conflito no Oriente Médio permanece completamente travada, e os traders já não conseguem identificar para qual lado o pêndulo poderá oscilar a seguir. Hoje o cenário pode favorecer os compradores; amanhã, os vendedores. Esse é exatamente o quadro observado nas últimas semanas. No momento, a crença na paz no Oriente Médio e no fim do bloqueio do Estreito de Hormuz vem gradualmente diminuindo.

Na minha visão, a tendência geral ainda permanece altista, apesar das fortes quedas registradas pelo par neste ano. O cessar-fogo no Oriente Médio continua frágil, mas ainda está em vigor. Naturalmente, o mercado não pode se apoiar indefinidamente em informações que não sejam confirmadas pelos fatos. O Estreito de Hormuz segue sob um bloqueio duplo e, embora Teerã e Washington estejam tentando há semanas chegar a um acordo para suspendê-lo, ainda não houve resultados concretos. O cenário alterna constantemente entre momentos de melhora e deterioração. Há cerca de um mês, os mercados estavam bastante otimistas, mas agora esse otimismo foi substituído por uma visão mais realista da situação.

O quadro técnico atual é o seguinte: o bullish imbalance 18 continua válido e ainda pode provocar uma reação capaz de impulsionar novamente a libra. Caso esse padrão seja invalidado, a queda poderá continuar e, nesse cenário, passaremos a considerar uma tendência de baixa mais consolidada. Após o forte recuo desta semana, um imbalance de baixa deverá se formar, criando oportunidades para posições vendidas. Ainda assim, para mim, o imbalance 18 segue sendo o fator mais importante no momento.

O noticiário econômico de sexta-feira ajudou os vendedores a pressionarem um pouco mais o mercado, embora o impulso de baixa também esteja perdendo força. A produção industrial em abril subiu 0,7% na comparação mensal e 1,4% na anual, ambos acima das expectativas do mercado. No entanto, a libra já vinha caindo desde quinta-feira, o que indica que o relatório industrial não foi o principal responsável pela recente força do dólar.

Nos Estados Unidos, o cenário econômico continua sugerindo que, no longo prazo, o cenário mais provável ainda é de enfraquecimento do dólar. Mesmo o conflito entre Irã e Estados Unidos altera pouco essa perspectiva. A geopolítica apenas relembrou temporariamente ao mercado o status do dólar como ativo de proteção ao longo dos últimos dois meses, mas, estruturalmente, o cenário de longo prazo para a moeda americana segue desafiador.

O mercado de trabalho dos EUA continua enfraquecendo, a economia se aproxima de uma recessão e o Federal Reserve — ao contrário do BCE e do BoE — não pretende endurecer a política monetária em 2026. Além disso, já ocorreram quatro grandes movimentos de protesto contra Donald Trump em várias regiões dos Estados Unidos, e a saída de Jerome Powell pode agravar ainda mais a situação do dólar caso o FOMC, sob liderança de Kevin Warsh, adote uma postura mais dovish.

Do ponto de vista econômico, não vejo fundamentos sólidos para uma valorização sustentável do dólar.

Calendário econômico dos EUA e do Reino Unido:

O calendário econômico de 18 de maio não apresenta eventos de destaque. O cenário econômico, portanto, não influenciará o sentimento do mercado nesta segunda-feira. No entanto, novos acontecimentos geopolíticos podem surgir durante o fim de semana.

Previsão e recomendações de negociação para GBP/USD

Para a libra esterlina, a perspectiva de longo prazo continua otimista. O padrão Three Drives Pattern (Três Impulsos) sinalizou aos traders o início de uma tendência de alta e, desde então, formaram-se três padrões altistas e três sinais de compra. Nesta semana, os fatores geopolíticos prejudicaram a perspectiva inicialmente otimista dos compradores, mas estes ainda têm a chance de manter a iniciativa por meio do Imbalance 18.

Meu alvo para a libra continua sendo a máxima de 2026, em 1,3867. Só começarei a considerar uma tendência de baixa caso o Imbalance 18 seja invalidado. Nesse cenário, os padrões baixistas passarão a prevalecer.

Samir Klishi,
Analytical expert of InstaTrade
© 2007-2026

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