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O ouro subiu para uma máxima de quatro semanas, avançando momentaneamente 2,5% para US$ 4.179,53 por onça, após a perspectiva de um acordo temporário para retomar as operações no Estreito de Hormuz aliviar as preocupações com a inflação e a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve. A prata também registrou forte alta.
O rali foi desencadeado por declarações de várias partes envolvidas nas negociações. O presidente Donald Trump afirmou a jornalistas, em Los Angeles, na terça-feira, que as conversas com o Irã estão "progredindo muito bem". Além disso, o Axios informou que Washington, Teerã e Omã estão próximos de um acordo, que os Estados Unidos pretendem anunciar ainda na quarta-feira. O Catar afirmou que um projeto de proposta já foi elaborado, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz poderá ser concluído na terça ou na quarta-feira.
O mecanismo pelo qual essas notícias afetam o ouro é direto e bem conhecido: os mercados agora precificam integralmente apenas uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) até o fim do ano, ante duas previstas há apenas uma semana. Uma política monetária menos hawkish costuma favorecer os metais preciosos que não rendem juros, o que explica o forte movimento dos preços.
A magnitude da queda do ouro desde o início do conflito continua sendo um importante lembrete da profundidade da correção sofrida pelo metal. Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro, o ouro acumula uma queda superior a 20%, à medida que o conflito impulsionou os preços da energia, intensificou as pressões inflacionárias e aumentou a probabilidade de que as taxas de juros permaneçam elevadas por mais tempo. Ainda assim, no fim do mês passado, os dirigentes do Fed decidiram manter a política monetária inalterada pela quinta reunião consecutiva, embora três membros dissidentes tenham voltado a defender uma alta dos juros.
A posição do próprio Fed continua longe de ser consensual. A presidente do Fed da Filadélfia, Anna Paulson, que votou com a maioria, afirmou na terça-feira que mantém a "mente aberta" quanto aos próximos passos da política monetária, uma vez que os sinais sobre o grau de restrição da política atual continuam contraditórios. Separadamente, o presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmidt, afirmou, em discurso preparado para um evento em Omaha, que taxas de juros mais elevadas continuam sendo necessárias para que o Fed alcance sua meta de estabilidade de preços.
Outro fator estrutural importante que vem sustentando o ouro nas últimas semanas é a atuação dos investidores institucionais chineses, que ajudaram a interromper a queda desencadeada pela guerra e a manter os preços acima do nível-chave de US$ 4.000 por onça.
Quanto ao cenário técnico atual do ouro, os compradores precisam superar a resistência mais próxima em US$ 4.186. Isso abriria espaço para uma alta em direção a US$ 4.249, nível acima do qual um rompimento será bastante desafiador. O alvo mais distante está na região de US$ 4.304.
Em caso de queda, os vendedores tentarão assumir o controle na região de US$ 4.124. Se tiverem sucesso, o rompimento desse nível poderá representar um duro golpe para as posições compradas, pressionando o ouro para a mínima de US$ 4.062, com potencial de recuo até US$ 4.008.