Consumidores dos EUA já sentem os efeitos da crise no Oriente Médio refletidos nos preços da gasolina
Em março, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos acelerou de forma significativa. O principal fator por trás desse avanço foi a alta nos custos de energia, impulsionada pela intensificação do conflito com o Irã — um movimento que, no entanto, já era amplamente esperado pelo mercado.
De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 3,3% em termos anuais, ante 2,4% em fevereiro. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo da expectativa de 3,4%, foi o maior avanço desde junho de 2022, quando os preços do petróleo dispararam após o início da guerra na Ucrânia.
Na comparação mensal, a inflação cheia avançou 0,9%, frente a 0,3% no mês anterior (com expectativa de 1,0%). O principal impacto veio do setor de energia, cujos preços saltaram 12,5% em termos anuais — uma forte reversão em relação ao aumento de apenas 0,5% registrado em fevereiro.
Os dados de março chamaram a atenção por serem os primeiros a refletir diretamente os efeitos econômicos do conflito iniciado no fim de fevereiro, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel a Teerã. Em resposta, o Irã praticamente bloqueou o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo. Apesar de os EUA serem exportadores líquidos de energia, a natureza global dos preços levou a gasolina a ultrapassar US$ 4 por galão nos postos americanos pela primeira vez em mais de três anos.
Ainda assim, a inflação subjacente (núcleo do CPI), que exclui alimentos e energia, manteve-se mais contida: 2,6% em termos anuais e 0,2% na comparação mensal, ambos abaixo das projeções. Diante desse comportamento mais moderado, analistas avaliam que o Federal Reserve não deverá atribuir peso excessivo ao avanço da inflação cheia na condução da política monetária.
Por outro lado, cresce a preocupação de que um conflito prolongado no Oriente Médio leve as famílias a reduzir o consumo, o que poderia, eventualmente, impactar o mercado de trabalho. Até o momento, no entanto, o emprego — outro indicador-chave para o Fed — apresentou forte recuperação no último mês, sustentando expectativas de estabilização.
Com a inflação ainda elevada, alguns economistas já não esperam cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Além disso, membros do Federal Reserve têm sinalizado que, diante do cenário atual, aumentos de juros não podem ser descartados.