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Choque energético pode frear fortemente a economia do Reino Unido

Choque energético pode frear fortemente a economia do Reino Unido

A economia do Reino Unido corre o risco de perder o impulso conquistado no segundo trimestre de 2026 devido a um forte choque energético. De acordo com uma nova projeção do Deutsche Bank, a escalada do conflito envolvendo o Irã reduzirá significativamente a renda das famílias e provocará uma crise operacional em diversos setores da economia.

O economista-chefe do Deutsche Bank para o Reino Unido, Sanjay Raja, destacou que, após uma recuperação vigorosa no final do inverno, o PIB britânico voltou a registrar uma leve contração em abril, enquanto os riscos macroeconômicos continuam inclinados para uma deterioração. Os analistas projetam um crescimento modesto de apenas 1% para o PIB em 2026. Para o trimestre atual, a expectativa é de expansão de 0,1%, acelerando apenas para 0,2% na segunda metade do ano.

O principal motor da economia britânica — o setor de serviços — contraiu 0,1% em abril na comparação mensal. As vendas de combustíveis para veículos despencaram 10,2%, à medida que os preços nas bombas dispararam, registrando o pior resultado desde novembro de 2020. Os consumidores começaram a reduzir seus gastos, levando as vendas de vestuário a cair 2,4%.

O único ponto de apoio veio do setor automotivo, tanto no varejo quanto no atacado, onde os novos licenciamentos de veículos aumentaram 24% em relação ao ano anterior.

O setor de hospitalidade recuou 0,4%. O faturamento dos pubs caiu 0,2%, enquanto o segmento de restaurantes registrou uma alta modesta de 0,1%, após ter avançado 2,5% em março.

O panorama industrial é misto. A produção industrial manteve apenas um ritmo moderado de crescimento, avançando 0,2%, impulsionada principalmente pelo aumento de 2,5% na extração doméstica de petróleo. Em contrapartida, a produção manufatureira recuou 0,2%.

O setor mais afetado foi a construção civil, cuja produção caiu 0,7% em relação ao mês anterior e ficou 1,7% abaixo do nível registrado um ano antes. O índice PMI da construção despencou de 45,6 para 39,7, um dos piores resultados desde o período da pandemia.

Os especialistas concluem que, com o desemprego projetado para subir para 5,4% até o final do verão e diante de uma nova onda inflacionária, a renda real das famílias britânicas deverá continuar encolhendo nos próximos meses.

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