O ouro perde 12% do seu valor no trimestre devido à crise no Oriente Médio
O Deutsche Bank, uma das principais instituições financeiras do mundo, reduziu significativamente suas projeções para o preço do ouro no mercado global. Segundo a Bloomberg, analistas do banco cortaram suas estimativas para o metal precioso em 22%. Com base em novas projeções macroeconômicas, o ouro deverá registrar um preço médio de US$ 4.300 por onça troy no terceiro trimestre de 2026, abaixo da previsão anterior de US$ 4.800. Um pessimismo semelhante foi demonstrado pelos analistas do banco de investimento americano Goldman Sachs, que também reduziram sua projeção em US$ 500. Atualmente, o ouro é negociado abaixo da marca de US$ 4.100, acumulando uma queda de cerca de 12% no trimestre, em consequência do conflito no Oriente Médio e da alta dos preços da energia.
Michael Hsueh, analista-chefe de pesquisa, explicou que um dos principais fatores por trás da desvalorização desse ativo de proteção foi a forte reavaliação das expectativas em relação à trajetória dos juros do Federal Reserve, combinada com indicadores macroeconômicos robustos da economia americana. O especialista alertou que, caso o banco central dos EUA decida elevar os juros em mais 3 a 4 pontos percentuais diante das pressões inflacionárias, o ouro poderá recuar para US$ 3.800 por onça. A situação é agravada pela quase ausência do tradicional suporte dos investidores, em razão das contínuas saídas de recursos dos ETFs lastreados em ouro físico. Nesse contexto, o único fator de sustentação consistente para o mercado continua sendo a forte demanda dos bancos centrais ao redor do mundo.
Pressão adicional sobre o metal precioso também veio da mais recente reunião do Federal Reserve. Na sessão de 18 de junho, os formuladores de política monetária decidiram por unanimidade, com o apoio de todos os 12 membros do comitê, manter a taxa dos Fed Funds no intervalo de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira decisão oficial da instituição após a recente mudança em sua liderança e frustrou os investidores que esperavam um afrouxamento iminente da política monetária nos Estados Unidos. Ainda assim, os economistas do Deutsche Bank ressaltam que, apesar desses fatores negativos, a tendência de longo prazo permanece moderadamente altista, e o ouro ainda apresenta potencial de valorização a partir dos níveis atuais, embora em uma magnitude significativamente menor do que a projetada anteriormente.