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Uma semana antes, sugerimos que a libra tinha boas chances de retomar o crescimento, mas que um movimento mais forte exigiria catalisadores adicionais. Esses catalisadores surgiram agora, e de várias direções ao mesmo tempo, o que nos permite esperar um maior desenvolvimento da tendência de alta.
Comecemos pelas notícias econômicas. O Índice de Preços ao Consumidor em dezembro subiu para 3,4% em relação ao ano anterior, superando as previsões, e embora a inflação básica tenha permanecido inalterada em 3,2%, pode-se afirmar com segurança que ainda não há sinais de desaceleração no crescimento dos preços neste momento.
Outros indicadores também permanecem integralmente em terreno positivo: o crescimento das vendas no varejo em dezembro atingiu 2,5% em termos anuais, acima da previsão de 1%; o índice de preços no varejo avançou mais do que o esperado, sustentando a pressão inflacionária; e a atividade empresarial em janeiro apresentou melhora perceptível nos dois principais setores — a manufatura subiu de 50,6 para 52,6, enquanto os serviços registraram um avanço ainda mais expressivo, de 51,4 para 53,9. O índice composto alcançou o nível mais alto desde a primavera de 2024. A expansão do PMI indica que o momento econômico positivo observado em novembro e dezembro deve se estender para janeiro.
A principal conclusão é que a pressão inflacionária, no mínimo, não está arrefecendo em meio à recuperação econômica. Esses dois fatores, mesmo sem considerar o mercado de trabalho, já são suficientes para antecipar com alto grau de confiança o resultado da reunião do Banco da Inglaterra em 5 de fevereiro: a taxa de juros deverá permanecer inalterada em 3,75%.
Na reunião de dezembro, o Banco da Inglaterra cortou a taxa por uma margem extremamente apertada (5 a 4). À luz dos dados mais recentes, as condições para um novo afrouxamento não apenas deixaram de se materializar, como também se deterioraram de forma perceptível. Trata-se de um fator altista para a libra, mesmo sem levar em conta outros vetores de influência.
Há, evidentemente, também o pano de fundo político externo. Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, acelerou a desvalorização do dólar ao afirmar que não está preocupado com sua queda. "O dólar está ótimo", comentou. Os mercados interpretaram a declaração como um sinal verde para continuar vendendo a moeda americana, já que um dólar mais fraco favorece as exportações. Considerando que não há sinais claros de aceleração da atividade industrial nos EUA — apesar do forte apoio da administração, ao menos por meio de restrições às importações —, um dólar mais fraco, no contexto atual, parece um instrumento coerente para estimular adicionalmente a produção doméstica.
Por fim, a posição líquida vendida em libra apresentou apenas leve variação na semana do relatório, enquanto o preço calculado permaneceu acima da média de longo prazo e acelerou seu movimento de alta.
Uma semana antes, identificamos uma meta em 1,3566, que foi rapidamente alcançada. Com a mesma rapidez, a libra ultrapassou a próxima resistência em 1,3725, atualizou a alta em 1,3787 e se consolidou acima dela. A libra já está sendo negociada nos níveis de setembro de 2021. O próximo alvo é 1,4240, e ainda não está claro se ele será atingido no curto prazo. Considerando que o ouro já está próximo de 5.300 e o petróleo Brent está em seu nível mais alto desde setembro do ano passado, presumimos que o impulso para o enfraquecimento do dólar continua forte. A reunião do FOMC ocorrerá hoje, e surpresas são quase garantidas — se não na decisão sobre as taxas, que provavelmente permanecerão inalteradas, pelo menos durante a coletiva de imprensa de Jerome Powell, já que muitas questões ainda não resolvidas permanecem na agenda.